Cartões é a categoria com mais atritos de toda a plataforma. E quando abri esse número, o recorte ficou claro: a maior parte dos atritos se concentrava em quem tem mais de um cartão e se perdia na própria home, com fatura, bloqueio e 2ª via como maiores ofensores. Conduzi o redesign da home de cartões PF em conjunto com o time de design, dividindo responsabilidades, para atacar essa concentração de atrito na raiz.
O problema
A home antiga não dava conta. O diagnóstico mostrou falhas em pontos básicos: identificação do cartão, status, diferenciação entre débito e crédito, leitura do limite, facilidade de encontrar serviços e a própria arquitetura da informação. A investigação traduziu isso em dores concretas:
- A home prejudicava a organização financeira do associado.
- Havia excesso e má distribuição de conteúdo e serviços, com esforço cognitivo elevado.
- Informações relevantes não estavam bem sinalizadas, gerando dúvidas e atritos.
- O usuário não conseguia associar o cartão físico ao que via no app.
- Pessoas com deficiência visual não tinham experiência adequada às diretrizes de acessibilidade.
Como conduzimos
Ancoramos a priorização no dado
Antes de desenhar, usamos os dados de atrito (a concentração em cartões múltiplos, e fatura, bloqueio e 2ª via como ofensores) para decidir o que a nova home precisava resolver primeiro, em vez de redesenhar por gosto.
Desenhamos a evolução, não um salto
Em vez de propor uma tela ideal desconectada da realidade técnica, construímos uma linha de evolução: da home em produção, passando por proposta, validação e testes, ajustes de viabilidade, até a proposta final. Cada passo equilibrou ambição e viabilidade.
Comparamos hierarquia, não só estética
Fizemos o comparativo de wireframe entre a home antiga e a proposta, repensando a ordem de leitura, o que ganha destaque e como o scroll prioriza o que o associado mais precisa.
Tratamos acessibilidade como requisito
A experiência com leitor de telas e para pessoas com deficiência visual entrou no escopo desde o diagnóstico, alinhada às diretrizes do Sicredi.
A entrega
Faseamos a solução para destravar valor rápido sem travar na perfeição:
- Fase 1, em produção desde abril de 2025. Identificação do cartão, status, diferenciação débito e crédito, leitura do limite, facilidade de encontrar serviços, acessibilidade com leitor de telas e nova arquitetura da informação.
- Fase 2, evolução desejável. Novos status do cartão, opção de mostrar ou esconder informações sensíveis, melhor organização das informações de fatura e um espaço dedicado para a central de ajuda.
O que eu levo desse projeto
- Dado de atrito é bússola de priorização. Foi ele que disse, com clareza, onde a nova home tinha que ser melhor, e blindou as decisões de virar discussão de gosto.
- Entregar em fases foi a decisão certa: colocar a Fase 1 no ar cedo gera valor real e aprendizado, em vez de segurar tudo esperando a versão perfeita.
- Acessibilidade não é uma camada final. Quando entra no diagnóstico, ela molda a arquitetura da informação desde o começo.